quarta-feira, 2 de julho de 2008

Calendário de eventos enxadrísticos de Julho

Retirado do site ClubedeXadrez - Newton Arruda

Atualizado em 2/7 às 17h15 - Panamericano da Juventude, brasileiros com 2 em 2 - Sub8: Beatriz Burached e Thiago Dobuchak; Sub10: Ramyres Coelho; Sub12: Angélica Takiguchi e Petrus Fay da Fonseca; Sub14: Mateus de Mendonça (ainda não havia informações do Feminino, mas Daphne Jardim tinha vencido a primeira); Sub 18: Rodrigo Terao. Terceira das nove rodadas nesta quarta-feira às 9h locais - Rodadas finais dos Jogos Regionais nas sedes de São Caetano do Sul e Lins (que começaram há pouco) e o Aberto Potiguar são os destaques do próximo fim de semana - Felicidade Cardoso Ciccone(1918-2008), minha querida avó

2 a 6: Competições enxadrísticas dos Jogos Regionais de São Paulo, sede São Caetano do Sul - em andamento

2 a 6: Competições enxadrísticas dos Jogos Regionais de São Paulo, sede Lins - em andamento

3 a 6: Semifinal do Ca2mpeonato Piauiense - Teresina

3 a 6: 3º Aberto Potiguar - premiação: R$1.100,00($500,00 ao campeão)- Natal

5 a 19: Torneio Absoluto Roraimense - Boa Vista

5 a 30: 9º IRT da Liga Campineira de Xadrez - SP

5: Campeonato Brasiliense de Rápidas - inscrições gratuitas - Taguatinga

5: 2a Copa Escolar - inscrições: R$3,00 - Belo Horizonte

7 a 12 Competições enxadrísticas dos Jogos Regionais de São Paulo, sede Jaboticabal

7 a 11: Campeonato Brasileiro de Seniors - para jogadores nascidos até 31/12/1947 - Rio de Janeiro

8 a 11 Competições enxadrísticas dos Jogos Regionais de São Paulo, sede Dracena

9: 3o Aberto Revolução de 32 - 6a etapa do Circuito dos Feriados GXBG - premiação: R$300,00 ($100,00 ao campeão) - São Paulo 10 a 13: Final do Campeonato Potiguar Feminino - Natal

12 e 13: Regional de Mendes - RJ

12 e 13: Aberto Clássico de Fortaleza - premiação: R$200,00 ($90,00 ao campeão)

12: 1ª das duas etapas classificatórias do 7º Aberto de Inverno Galeria Borba Gato - inscrições a R$10,00 com direito a participar também da fase seguinte e, em caso de classificação, da final - São Paulo

13: Torneio Círculo Macabi/Israel 60 Anos - premiação: R$600,00 ($150,00 ao campeão) - São Paulo

17 a 20: Etapa do Circuito Aberto do Brasil/6º Aberto do Sertão - vaga na semifinal do Brasileiro e duas vagas masculinas mais duas vagas femininas na semifinal do Estadual - premiação: R$4.200,00 ($1.000,00 ao campeão) - Quixadá - CE 18 a 24: Final do Memorial Bobby Fischer - Rio de Janeiro

18 a 20: Etapa inaugural do Circuito IRT da Liga de Xadrez de São Bernardo do Campo - premiação: R$1.000,00 ($300,00 ao campeão)- SP

18 a 20: NRT (agora saíram com essa...) de Corumbá - MS

19 e 20: 3ª Semifinal do Maranhense Absoluto - São Luis

19: 2ª e última etapa classificatória do 7º Aberto de Inverno Galeria Borba Gato

20: 40º Aberto Memorial Júlio Guerra - 7ª etapa do Circuito Solidário 2008 - GXBG

26 a 28: 2o ITT LCX Memorial Vanderley Cason Melo - Ribeirão Preto/SP

26 e 27: Taça Cidade de Imperatriz - MA

26: Final do 7º Aberto de Inverno Galeria Borba Gato

26: Final B do Aberto de Inverno Galeria Borba Gato - livre, leve e solto - SP

Misérias e glórias do xadrez - parte 18

Retirado do site do grande jogador brasileiro Hélder Câmara

Enquanto promovia, com uma cobertura maciça da mídia, o rompimento de qualquer limite ou regra no xadrez mundial - e, não tenhamos dúvida, a falta de limites e regras não favorece a maior democratização ou igualdade, mas à submissão a quem tem mais poder ou dinheiro - Kasparov continuava posando de libertário: “Eu não preciso do reconhecimento de uma organização burocrática como a FIDE. Sou o melhor do mundo e prefiro demonstrá-lo nos torneios e com o reconhecimento das pessoas”.

Um “Luis XIV de pacotilla”, classificou José Luis Rescalvo, em seu artigo “História de uma infâmia”. Com efeito.

Mas, provavelmente, é pior. Em nome de ser “o melhor do mundo”, ele não pretendia, como Luís XIV, ser a encarnação da organização coletiva. Pelo contrário, pretendia estar acima de qualquer organização coletiva - pois não era dos entraves burocráticos da FIDE que estava falando, mas da própria FIDE como instituição. Essa linguagem, muitos não terão dificuldade em reconhecer: a de considerar “burocrático” não o que realmente é, mas a coletividade em si mesma, porque ela impõe limites, antes de tudo limites morais. Certamente, a coletividade só deixará de ser “burocrática” quando estiver submetida ao “melhor”... Em suma, a linguagem mais chula do fascismo.

Valery Salov tem razão ao dizer que “Kasparov é um embusteiro em série”. Evidentemente, Salov estava falando em termos políticos. No entanto, a única credencial de Kasparov como político é sua carreira no xadrez. Portanto, estamos diante de uma questão enxadrística importante: ele tem sido promovido insistentemente a melhor jogador da história, porque, segundo argumentam seus partidários, nenhum teria ficado tanto tempo acima de todos os outros. O fato de que nenhum outro, desde Alekhine, tenha se colocado acima de qualquer regra, não parece aturdir esses cavalheiros. Nem, muito menos, o fato de que afastou possíveis desafiantes e desafetos declarados, usando o poder econômico dos patrocinadores. E, por último, nem o fato completamente inédito de que no lugar de onde poderia vir contestação, os países que antes formavam a URSS, a estrutura do xadrez, principalmente a que formava os jogadores, pela primeira vez desde 1945 estava em frangalhos ou deixara de existir. Some-se a isso o apoio de uma tremenda cobertura de mídia, dinheiro a rodo e oponentes intimidados – e temos aqui as condições em que Kasparov se impôs.

Mas, examinemos o argumento sem outras considerações. Veremos que também não é verdadeiro: Steinitz e Lasker tiveram predominância por mais tempo que Kasparov. E o fato de Capablanca ter sido campeão mundial durante apenas seis anos não torna Kasparov melhor do que Capablanca. Ou melhor do que Fischer, campeão durante três anos.

Mas é aí nesse instante que aparece o outro argumento dos kasparovistas: o rating ELO. Vejamos o que significa.

ELO

Em 1970, a FIDE resolveu adotar, para medir a força relativa dos jogadores, o sistema usado desde 10 anos antes pela Federação dos EUA (USFC), denominado ELO devido ao autor do modelo matemático, Arpad Elo.

É fato que a FIDE precisava de um método menos subjetivo de estabelecer ratings (isto é, números que expressam a força relativa dos jogadores) do que o adotado até então - e optou pela proposta de Elo.

Gligoric, que esteve presente à reunião da FIDE que adotou o sistema, afirmou, em entrevista ao GM Alexander Baburin, que o próprio Arpad Elo, nessa reunião, alertou sobre a necessidade de correções futuras, pois, por sua fórmula, os ratings tendiam à inflação. Hoje, inclusive, a maior parte das organizações que utilizam o sistema já incluiu correções para evitar distorções maiores.

Em poucas palavras: como a base do modelo é estatística, o significado do rating muda de acordo com a base estatística - o que equivale a dizer: de acordo com a época. Assim, o próprio Elo, em seu livro “The Rating of Chessplayers, Past and Present”, de 1978, escolheu os cinco melhores anos das carreiras dos jogadores como base para estabelecer ratings. Poderia ter escolhido outra base - e o resultado seria diferente.

Reparemos que, mesmo considerando um único critério, isso, na prática, não evita algumas deformações importantes: com a mesma base estatística, Elo concede o rating 2.690 tanto para Alekhine quanto para Smyslov quanto para Morphy. No entanto, o último, Paul Morphy, um jogador norte-americano de origem hispânica do século XIX, simplesmente arrasou todos os seus contendores, nos EUA e na Europa, entre 1849 e 1869, vencendo 83% das partidas que disputou em competições, sem absolutamente ninguém que pudesse chegar perto, o que não é o caso nem de Alekhine nem de Smyslov.

Pelo menos, o professor Elo tem algum senso do ridículo. Usando uma base diferente, outro autor calculou uma lista dos mais altos ratings já atingidos por jogadores de hoje e de ontem, onde Mikhail Tahl está em 38º lugar, Lasker em 27º, Botvinnik em 26º e Capablanca em 27º. O primeiro, claro, é Kasparov. Mas, o leitor já ouviu falar, por exemplo, em Dmitry Jakovenko? Trata-se de um promissor jovem de 24 anos, mas não há nada que tenha feito para que esteja quatro lugares acima de Capablanca (!), cinco acima de Botvinnik (!!), seis acima de Lasker (!!!) e 17 lugares acima de Tahl!!!! (O polonês Przemek Jahr é mais modesto: sua lista omite Capablanca, Lasker e Botvinnik; Tahl, no entanto, está em 27º – atrás até mesmo de Kasimdzhanov e outros que, convenhamos, estão muito longe de ser grandes jogadores no sentido em que Tahl foi grande).

Não continuaremos mais a mostrar as distorções do cálculo de rating. Resta apenas observar que, com o comercialismo desenfreado, instituiu-se uma verdadeira ditadura do rating. É impressionante a obsessão de alguns com esse número. A origem dessa obsessão é evidente: cada vez mais os torneios são organizados em função dele. Alguém poderia dizer que, antes do sistema ELO, já eram. Sem dúvida é necessária uma forma de fazer com que os enfrentamentos sejam entre jogadores de força semelhante. No entanto, algumas das melhores coisas acontecidas em xadrez estiveram em partidas entre jogadores presumivelmente de força diferente. Se o sistema ELO existisse na época de Capablanca, como ele poderia, em 1911, ter jogado em San Sebastián, um torneio onde passou de desconhecido para vencedor em algumas semanas? No entanto, o problema não está essencialmente no sistema ELO, mas no modo como é usado - e manipulado. No momento, a situação é tal que até entre os Grandes Mestres – cujos critérios para a obtenção do título foram relaxados - existem os de primeira e os segunda categoria (ou, talvez, de primeira, segunda e terceira categorias...), dependendo do rating. O que não ajuda nem um pouco a enriquecer o desenvolvimento do jogo.

As conseqüências práticas – que, no final das contas, é o que importa - foram muito bem resumidas pelo GM armênio Serguei Movsesian, um dos finalistas do mundial de 1999, em carta aberta a Kasparov, respondendo à tentativa de enxovalhamento deste a essa disputa, organizada pela FIDE em Las Vegas. Por isso, transcrevemos alguns trechos:

“A questão não é: 'por que jogam sempre os mesmos em tais torneios?', mas, 'por que devem considerar-se a elite do xadrez, quais os critérios que dizem que eles são melhores que os demais mortais?'. Se nos basearmos nos ratings, então esses jogadores sem dúvida têm vantagem, porque ao jogar continuamente em torneios de alta categoria, sem o risco de perder pontos, redistribuem-nos entre si (....), enquanto os jogadores 'mortais' estão lutando por subir seus ratings, como é obrigação dos verdadeiros desportistas. Na realidade, você [Kasparov] e seus fornecedores de pontos abusam das imperfeições do sistema Elo (....). Por certo que o sistema de torneios com uma composição permanente de participantes já tem seguidores de 'êxito', [mas] se nos basearmos na força de jogo, não creio realmente que os componentes da 'élite' sejam melhores que os 'mortais' (....). Creio que você está condenado a proteger a seus favoritos, que pensam que você é Deus, sem os quais estaria obrigado a jogar com os 'plebeus'.

“É divertido que você compare os acontecimentos enxadrísticos com o tênis: 'Não posso recordar um torneio do Grand Slam sem a participação dos números 1, 2, 3 y 4 do ranking oficial, além do vencedor da edição anterior'. Mas você se 'esquece' imediatamente de dizer o mais importante: em todos os torneios de tênis os jogadores da 'élite' começam sua participação na segunda eliminatória e lutam pela vitória com os jogadores 'que andam a pé'. (....) Mas o que temos no xadrez? Seus torneios de 'élite', com uma composição permanente de participantes, fiéis súditos de Sua Majestade”.

SOFTWARE

Voltando ao aspecto enxadrístico, se compararmos a contribuição de Kasparov com a de Botvinnik, Petrosian ou até mesmo Karpov, não é difícil concluir que seu predomínio deveu-se a outros fatores que não a profundidade estratégica. Este aspecto essencial do jogo ele absorveu bem, de Botvinnik e outros. Mas nunca se notabilizou por desenvolvê-lo.

Ele foi o primeiro jogador, em nível magistral (ou seja, em nível de mestre e grande mestre), a se beneficiar do uso de computadores. Numa de suas entrevistas, diz ele que tinha armazenadas em seu computador 4 mil variantes. Se é verdade ou se era uma fanfarronada, não sabemos. Mas é perfeitamente possível. Junto com uma memória digna de um idiot savant, isso, pelo menos no começo de sua carreira, não foi pouca vantagem - Karpov, por exemplo, até hoje parece pouco adaptado aos computadores.

Mas o significado disso está, antes de tudo, no aspecto tático, o aspecto em que a maioria dos softwares de xadrez consegue bom desempenho. E, realmente, Kasparov, como Alekhine, foi antes de tudo um tático – o que não quer dizer, evidentemente, que não conhecesse estratégia (apesar do que já dissemos acima, essa ressalva é necessária em razão dos kasparovistas na mídia estarem sempre dispostos a usar um mal entendido - portanto, não venham argumentar que nós dissemos que se trata de um ignorante em estratégia, porque não foi isso o que dissemos). O match de 1995 contra Anand - este um jogador mais estratégico, “posicional” - é bem característico do que estamos dizendo.

Porém, o mais importante é que, declarando-se campeão mundial por fora da FIDE, isto é, acima de qualquer regulamentação, Kasparov escolhia seus oponentes. Assim, em 1998, com sua associação algo no ridículo, e sem que houvesse regra alguma para apontar o desafiante ao seu suposto título, ele quis organizar um match entre Anand e o então jovem Vladimir Kramnik. Qual o critério? Como ficou evidente depois, o critério era a vontade dele: Anand, ele já havia derrotado uma vez e Kramnik havia sido seu “segundo”. Portanto, devia achar que enfrentar o vencedor desse match era o menor risco.

No entanto, Anand, que tinha um contrato com a FIDE, recusou. Acertou-se, então, um match entre Kramnik e Alexei Shirov, na época em grande forma. O vencedor enfrentaria Kasparov.

Mas Shirov tinha Valery Salov como treinador. Apesar de ser um jogador excepcional, Salov teve sua carreira encurtada pelas freqüentes recusas dos organizadores de torneios a convidá-lo: esta era uma condição imposta por Kasparov à sua própria participação. No entanto, ele havia sido campeão mundial sub-16 (1980); campeão europeu junior (1984); primeiro lugar (empatado com Alexander Beliavsky) no Campeonato da URSS de 1987; segundo lugar (empatado com Artur Yusupov) no Campeonato da URSS de 1988 (atrás apenas de Karpov e Kasparov, que terminaram empatados em primeiro lugar); e duas vezes esteve entre os candidatos a desafiante do campeão mundial (1988 e 1996).

Apesar dessa trajetória, como ele declarou em 2000, numa entrevista coletiva em León, “vetado por Kasparov, não tive um só convite nos últimos três anos aqui na Espanha e praticamente nada em todo o mundo”. Não era uma queixa: “sou muito otimista quanto às perspectivas”, disse ele.

Mas, aconteceu o que Kasparov não esperava. Shirov derrotou Kramnik. Então, Kasparov recusou-se a cumprir o contrato que o obrigava a enfrentá-lo. Segundo suas palavras, Shirov “não era comercial” e isso dificultava conseguir patrocinadores. Além disso, a empresa de Kasparov e associados jamais pagou a Shirov o prêmio acordado para o match com Kramnik, enquanto que este recebeu a sua parte. Em suma, o match valia, desde que o vencedor fosse quem Kasparov queria... Mas exatamente aí ele se enganou: ao achar que Kramnik seria mais fácil do que Shirov.

Seja como for, esse critério da falta de comercialidade de Shirov nem mesmo necessita de comentários. Imagine-se o que seria de qualquer esporte submetido de forma absoluta a esse critério. No mínimo, a Ana Maria Braga seria campeã olímpica de alguma coisa.

No entanto, Shirov é um daqueles táticos espetaculares - seria difícil achar que um jogador mais sólido, como Kramnik, pudesse ser, nessa época, mais “comercial” do que Shirov. É inevitável chegar à conclusão de que Kasparov queria evitar o confronto com Shirov por outra razão - sabe-se lá o que podia acontecer num match com um jogador tão imprevisível quanto ele... Em suma, o problema era medo de perder, o que não era impossível - o resultado do match com Kramnik demonstrava que não era.

Em meio a uma grita geral - Shirov, antes soviético e letão, naturalizara-se espanhol e era o principal jogador de seu novo país - Kasparov anunciou que “preferia” jogar com Anand do que com o vencedor de Kramnik. Mas Anand respondeu outra vez, e publicamente, que tinha contrato com a FIDE e era “homem de palavra”. Algo que, provavelmente, Kasparov não entendeu. Afinal, oferecia-se um prêmio de US$ 2 milhões, com o vencedor levando 2/3. Que história é essa de palavra?, deve ter pensado.

Depois de dois anos de confusão, em que empresas-fantasmas entravam e saiam de cena, realizou-se o match entre Kasparov e Kramnik - e Kasparov perdeu.

A derrota (não conseguiu vencer nenhuma partida, enquanto Kramnik, um excelente jogador posicional, isto é, estratégico, venceu a 2ª e a 10ª) selou o destino das siglas inventadas por Kasparov. Na verdade, nunca se tratou de um verdadeiro campeonato mundial, mas da promoção dele como herói da reação numa área em que os soviéticos – isto é, para todos os efeitos, os comunistas – tiveram longa hegemonia.

FIDE

Para terminar esta série - que nunca pretendemos fosse tão longa - restam algumas palavras sobre a época posterior à falência do mercantilismo desregrado no xadrez, época que ainda não foi inteiramente superada, mas cujo período mais selvagem e obscurantista já ficou para trás.

Em 1995, com o pires na mão, a FIDE mudou seu presidente. Florencio Campomanes fui substituído por Kirsan Ilyumzhinov, também presidente da República da Kalmykia, um pequeno país às margens do Mar Cáspio, antes parte da URSS e hoje integrante da Federação Russa (os kalmíkios não chegam a 200 mil pessoas - somando-se os cidadãos de outras nacionalidades, principalmente russos, a república tem menos de 300 mil habitantes).

Aqui, mais uma vez, é necessário um cuidado especial para atermo-nos somente aos fatos, pois a propaganda contra Ilyumzhinov é algo fenomenal. O que sabemos de seguro é que ele tornou-se bilionário da mesma forma que os outros bilionários da ex-URSS: apropriando-se do patrimônio público. É verdade que em relação às pretensões estrangeiras sobre o petróleo, o gás natural e o carvão, que são abundantes em seu pequeno país, ele tem mantido uma atitude de recusar a sua entrega.

Salov, que, diante da confusão no xadrez mundial, advogou a reunificação em torno da FIDE, ao ser interpelado sobre Ilyumzhinov pelo Mestre Internacional Ricardo Calvo, que acusava o presidente da Kalmykia, entre outras coisas, de mandar assassinar uma jornalista, por sinal, reacionaríssima, deu uma resposta interessante: “O Sr. Yeltsyn, o ex-presidente da Rússia, se encarregou pessoalmente de matar cinco mil civis em outubro de 93, de fuzilar o Parlamento legitimamente eleito, violando todos os princípios democráticos. E o que estavam escrevendo todos os nossos livres e democráticos jornalistas? - que ele era a única garantia da democracia na Rússia, que era algo necessário, que havia sido um mau Parlamento (....). A esse assassino em série estavam apoiando todas as forças 'democráticas' do mundo. (....) Então... Vamos deixar de demagogia (....). O Sr. Ilyumzhinov investiu mais de 20 milhões de dólares no mundo do xadrez. É a única diferença que há entre o Sr. Ilyumzhinov e qualquer outro político russo e, inclusive, diria eu, qualquer outro político americano”.

Que o xadrez mundial esteja dependendo, em boa parte, de Ilyumzhinov, não é a melhor coisa do universo. O próprio Salov, comentarista oficial da FIDE nos matches de candidatos deste ano, em Elista (capital da Kalmykia), recebeu uma censura pública da entidade por entrar em assuntos políticos ao entrevistar, para o boletim do evento, a chinesa Xie Jun, duas vezes campeã mundial feminina. Salov havia comentado que “o Ocidente da Europa e os EUA são países totalitários (...). A imprensa está totalmente controlada”. Xie Jun lembrou que na China “temos só um partido, o comunista”. E Salov: “Nos EUA também só tem um partido, mas com dois nomes diferentes”.

Realmente, era demais para Ilyumzhinov.

Apesar disso, o torneio de San Luís, Argentina, em 2005, do qual o GM búlgaro Veselin Topalov saiu campeão mundial, o match de 2006, em que Kramnik venceu Topalov, e o recente torneio da Cidade do México, do qual Viswanathan Anand saiu campeão, são fatos, como diria alguém antigo, alvissareiros e auspiciosos.

No entanto, a principal esperança do xadrez é a força coletiva dos enxadristas. Não é uma frase vazia: o movimento contra a guerra no Iraque, a que, em massa, os enxadristas aderiram, mostrou que essa força é real. Na época, houve apenas uma exceção: Kasparov, que advogou não somente o bombardeio e a invasão do Iraque por Bush, quanto a extensão da guerra à Síria e ao Irã. Mas isso, leitores, é uma voz do além. Que o diabo se encarregue dele.

E por aqui ficamos, agradecendo a audiência - e a paciência.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Magnus Carlsen vence Torneio Aerosvit 2008!

Retirado do site ChessBase

Aerosvit 2008: Carlsen wins by a full point
19.06.2008 Alexei Shirov and Andrei Volokitin scored final round victories, while Vassily Ivanchuk won another game, this time against Pavel Eljanov in a queen ending. Magnus Carlsen held Ukrainian co-prodigy Sergey Karjakin to a draw to take the category 19 tournament by a full point, with a 2877 performance. He will be number two in the next world rankings – if FIDE rates this event.

Aerosvit-2008 Tournament in Foros, Ukraine

The "Aerosvit-2008" tournament took place in a sanatorium complex in the settlement Foros of AR Crimea, Ukraine, from June 8th to June 19th, 2008. It was a 12-player round robin with invited participants. The average rating of the players was 2711.7, time controls 90 minutes for the first 40 moves and 30 minutes to the end of the game, with an addition of 30 sec. after every move. In case of equal points at the end of the tournament the tiebreak is based on the (1) the result of the direct encounter; (2) the Sonneborn-Berger system; (3) the number of won games.

Round eleven report (final)

White
Res.
Black
Moves
Ivanchuk, Vassily
1-0
Eljanov, Pavel
60
Karjakin, Sergey
½-½
Carlsen, Magnus
30
Volokitin, Andrei
1-0
Alekseev, Evgeny
45
Jakovenko, Dmitry
½-½
Nisipeanu, Liviu-Dieter
18
Svidler, Peter
½-½
Van Wely, Loek
37
Onischuk, Alexander
0-1
Shirov, Alexei
29

Full report to follow...

Final standings (after eleven rounds)

Magnus watch

Magnus Carlsen's overall performance in this tournament is 2877, and his live rating is 2791.5. Which means that if the FIDE world rankings were published today he would be second in the world, seven points behind Anand and one point ahead of (can you guess?) Vassily Ivanchuk! Yes, the Ukrainian GM has overtaken Vladimir Kramnik, who is 2788 and now number four on the list. Alexander Morozevich is a point (actually a tenth of a point) behind Kramnik and Veselin Topalov is number six, eleven points behind Morozevich. Just twelve days left for the official list with the exact figures to be published.

But will Foros be rated? In the Executive Board Minutes of the 78th FIDE Congress, 14-16 November, 2007, in Antalya, Turkey, we read:

"Linares Tournament had been rated for April but some tournaments were not rated. The Qualification Commission decided to have a clear deadline, except for FIDE events listed in the FIDE Handbook. The 15th of the respective previous month is the deadline. A fine of 50 euros should be paid for the late registration."

On Thursday a member of the FIDE ratings commission announced that Foros would be included in the July 1st rating list, but then on Friday the same member retracted his statement, saying that he had been made aware of the above decision and that FIDE was determined to stick by this rule.

We can only repeat what we said a few days ago: FIDE has in the past made exceptions to include key tournaments in the ratings lists. In April 2007 it rated Morelia/Linares although the results could only be submitted after the original deadline. The consideration is that the accuracy of the ratings and their up-to-dateness should take precedence over burocratic guidelines. This applies especially in cases where chess history is in the making. The pressure from chess fans and the media will be enormous. In 2007 1.1 billion chess fans were ready to launch a protest if Anand were not ranked number one. Under worldwide pressure FIDE had to relent and corrected its April list one day later to include Morelia/Linares and put Anand on the top of the rankings.

Live ratings

Independent of what FIDE decides, for the time being we have Hans Arild Runde's Live Top List, which is updated minutes after tournaments are completed. The Live Top List cover all players with a current, live rating above 2700, who are now generally known as "Super-GMs".

Live Top List – June 19th, compiled at 18:57 CEST.

Rank
Player Rating
Change
games
events
born FIDE
01
Anand 2798,1
-4,9
2
1
1969 id-card
02
Carlsen 2791,5
+26,5
27
4
1990 id-card
03
Ivanchuk 2790,8
+50,8
36
4
1969 id-card
04
Kramnik 2788,0
0
0
0
1975 id-card
05
Morozevich 2787,9
+13,9
20
3
1977 id-card
06
Topalov 2777,0
+10
10
1
1975 id-card
07
Radjabov 2744,1
-6,9
31
3
1987 id-card
08
Mamedyarov 2742,1
-9,9
23
2
1985 id-card
09
Leko 2741,0
0
0
0
1979 id-card
10
Aronian 2737,1
-25,9
11
2
1982 id-card
11
Shirov 2736,7
-3,3
22
3
1972 id-card
12
Adams 2734,5
+5,5
20
2
1971 id-card
13
Karjakin 2728,9
-3,1
38
4
1990 id-card
14
Grischuk 2728,2
+12,2
21
2
1983 id-card
15
Svidler 2727,2
-18,8
43
4
1976 id-card
16
Eljanov 2724,9
+37,9
34
5
1983 id-card
17
Movsesian 2723,3
+28,3
53
7
1978 id-card
18
Kamsky 2722,7
-3,3
28
3
1974 id-card
19
Gelfand 2719,8
-3,2
10
2
1968 id-card
20
Ponomariov 2717,6
-1,4
10
1
1983 id-card
21
Gashimov 2716,9
+37,9
34
4
1986 id-card
22
Polgar 2710,6
+1,6
3
1
1976 id-card
23
Jakovenko 2709,5
-1,5
31
5
1983 id-card
24
Dominguez 2707,5
+12,5
19
2
1983 id-card
25
Ni 2705,0
+1
28
4
1983 id-card
26
Bu 2704,6
-3,4
25
4
1985 id-card
27
Milov 2704,6
+14,6
16
4
1972 id-card
28
Wang Yue 2704,1
+15,1
28
4
1987 id-card
29
Alekseev 2702,7
-8,3
23
3
1985 id-card

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Calendário de Junho do circuito enxadrístico brasileiro

Retirado do site Clubedexadrez

Calendário de junho

Atualizado em 18/6 às 23h47 - Campeonato Brasileiro Juvenil em Guarapari/ES, que começa amanhã, é o destaque da semana, que terá também, de sexta a domingo, o Internacional de Birigui(SP) - Tula Ellice Finklea (Lily Norwood, logo depois Cyd Charisse, 1922-2008) - há exatos 100 anos aportava em Santos o Kasato Maru, com os primeiros 781 imigrantes japoneses

19 a 2/6: 12º Memorial Fernando de Almeida Vasconcellos - premiação: R$1.000,00($500,00 ao campeão) - encerrado - 14 jogadores e a vitória de Victor Shumyatsky, veja os boletins - Brasília

27 a 6/6: Campeonato Fluminense de Veteranos - encerrado - Rio de Janeiro

31 a 9/6: IRT Memorial Djalma Baptista Caiafa - encerrado - Rio de Janeiro

31 e 1/6: 2º Aberto do Rotary Club - encerrado - Ituiutaba/MG

1: Aberto de Nova Resende - premiação:630,00 ($130,00 ao campeão) - inscrições:$5,00 - encerrado - MG

1: Torneio 50 Anos de Taguatinga - encerrado - DF

1: 2ª etapa do Circuito Escolar - inscrições: R$7,00 - encerrado - Goiânia

6: Etapa inaugural do Circuito Municipal Juvenil - inscrições: R$3,00 - Barbalha/CE

7 a 13: 20a Taça João Batista Ribeiro Neto/2a Semifinal do 57o Campeonato Citadino - premiação:R$1.100,00 ($300,00 ao campeão) - em andamento - Florianópolis

7 e 8: Campeonato Paulista Juvenil - premiação: R$500,00 ($300,00 no Absoluto e $200,00 no feminino) - encerrado, 12 jogadoras no Feminino e 26 jogadores no Absoluto - campeões: Daphne Jardim Santos e Fernando Viana da Costa, ambos com 4,5 em 5

7 e 8: Copa Malibu - premiação: R$300,00 ($150,00 e um fim de semana no Malibu Palace Hotel - encerrado - Cabo Frio - RJ

7 e 8: Aberto Clássico de Aracati - premiação: R$500,00 ($170,00 ao campeão)- encerrado - CE

7: Campeonato Fluminense Relâmpago - premiação: R$600,00 ($300,00 ao campeão) - encerrado - Rio de Janeiro

7: Campeonato Castelo do Rei - premiação: R$280,00 ($100,00 ao campeão) - encerrado - Cuiabá

7: Campeonato Amazonense Relâmpago - encerrado, vitória de Renan Reis(bicampeão), com 14 em 14 - Manaus

7: 2ª etapa do Circuito Escolar Clube de Xadrez São Paulo/Xeque & Mate - encerrado

8: 5º Memorial Maria Aparecida Guimarães - premiação: R$600,00 ($150,00 ao campeão)- encerrado, 26 jogadores e a vitória de Luiz Guilherme Abdalla, com 5 em 5 e melhor desempate que o MI Mauro Guimarães de Souza, neto da homenageada - São Paulo

8: Torneio Cidade de Barrinha - premiação: R$500,00 - encerrado, 184 jogadores e a vitória de Gérson Batista com 7 em 7 - SP

8: Torneio do Projeto Xadrez na Escola - encerrado - Abaeté/MG

8: 3o Aberto de Ceilândia - inscrições mediante a doação de 1 kg de alimento - encerrado - DF

10 e 11: Competições de Xadrez dos 3os Jogos Brasileiros de Polícias e Bombeiros - encerrado, vitória de Wladimir Zampronha - Vitória

13 a 15: Campeonato Catarinense Juvenil - ajuda de custo de R$ 200,00 aos campeões do absoluto e do feminino, para a disputa do Campeonato Brasileiro da categoria, em Guarapari/ES - encerrado - campeões: Feminino(18 jogadoras)- Denise Lemony, com 5 em 6 e Absoluto(55)-Antonio Carlos Bambino Filho, com 5,5 em 6 - Lages

13: 6a etapa do Circuito Relâmpago - premiaçao: R$150,00 - encerrado - Florianópolis

14 e 15: Campeonato Paranaense Juvenil - ajuda de custo de R$ 200,00 aos campeões do absoluto e do feminino, para a disputa do Campeonato Brasileiro da categoria, em Guarapari/ES - em andamento,Pedro Caetano informa: campeões com 5 em 5 - Absoluto(18 jogadores):Salvio Sakakibara, com melhor desempate que Mateus de Camargo e Feminino(10 jogadoras): Juliana Luiza Choma, com melhor desempate que Joice Catcarth - Francisco Beltrão

14: 4ª etapa do 10º Circuito Catarinense Rápido - premiação: R$1.000,00 (na Divisão Superior, com $300,00 ao campeão) - encerrada, 158 jogadores. Campeões - Superior(53): Antonio Carlos Bambino Filho, com 6 em 6 e melhor desempate que Alfeu Junior Bueno e Ronny Gieseler; Especial: Flavio Koroleski(105), com 6,5 em 7 - Lages

14 e 15: Etapa Araxá do Campeonato Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro Pensado - premiação: R$300,00 - encerrada

14 e 15: Campeonato Amazonense Rápido - encerrado, 42 jogadores e a vitória de Leonardo da Paz, com 6 em 7 - Manaus

14: 10ª etapa do Circuito Paulista Dinâmico - premiação: R$1.000,00 ($500,00 ao campeão) - encerrado, 49 jogadores e a vitória do MI Sandro Mareco, com 5,5 em 6 e melhor desempate que o MI Mauro de Souza - Alphaville - SP

14: Etapa dos Circuitos Cearense Rápido e Farias Brito - premiação: R$130,00($50,00 ao campeão) - em andamento - Fortaleza

14: Torneio Interescolar por Equipes do Festival Shopping Bougainville - em andamento - Goiânia

14: Torneio Rápido do Festival Shopping Bougainville - premiação: R$500,00 - encerrado - Goiânia

14: Torneio Relâmpago do Festival Shopping Bougainville - premiação: R$200,00 - em andamento - Goiânia

14: Prova enxadrística do 26º Intercolegial d’O Globo - em andamento - Rio de Janeiro

15: Festival 6º Aniversário Praça Seca Xadrez Clube - premiação: R$1.600,00 ($600,00 ao campeão) - encerrado - Rio de Janeiro

15: 2o. Memorial Michel Fiszman - premiação: R$600,00 ($150,00 ao campeão) - encerrado, 22 jogadores e a vitória de Estácio Limberg, com 5,5 em 6 - São Paulo

15: 39º Memorial Júlio Guerra - 5ª etapa do 3º Circuito Solidário - inscrições mediante a doação de 1 kg de alimento não-perecível em prol da Casa do Menor de Santo Amaro, rua Padre Chico, 308, tel. 5686-3288 e 5521-1666 - premiação simbólica: R$50,00 ao campeão do Absoluto, para jogadores com rating GXBG superior a 1800 - encerrado, 17 jogadores e a vitória de André Magalhães, com 5 em 5. Dante Honda foi o destaque do Grupo B - São Paulo

15: 5ª Copa Escolar Ayrton Senna - encerrada, 1729 pré-inscritos - São Paulo

15: 3ª Etapa do Circuito de Xadrez Escolar, encerrando o Festival Shopping Bougainville - inscrições: R$7,00 - em andamento - Goiânia

19 a 22: Campeonato Brasileiro Juvenil - premiação:R$1.500,00($500,00 ao campeão) - Guarapari - ES

20 a 22: Torneio Internacional de Birigui - premiação: R$1.000,00 ($300,00 ao campeão) - SP

20 a 29: Jogos Universitários Brasileiros - Maceió

21: 4º Aberto de Rosário Oeste - premiação: R$1.000,00($350,00 ao campeão) - MT

21: Torneio Aberto do Clube de Xadrez Mogi das Cruzes - premiação: R$150,00 ($60,00 ao campeão) - inscrições limitadas a 40 - SP

21: Campeonato Sergipano de Rápidas - Aracajú

21: Campeonato Amazonense Escolar - Manaus

21: Campeonato Aberto 30 x 30 MG - Nova Iguaçu - RJ

21: 2ª etapa do Circuito Estudantil Intermunicipal - Botucatu - SP

22: Aberto das Amoreiras - Campinas - 3ª etapa do 7º Circuito Regional - SP

26 a 29: Campeonato Paulista Absoluto - duas vagas para semifinal do Brasileiro -premiação: R$6.800,00 ($1.800,00 ao campeão)- Santos

28 e 29: Campeonato Fluminense de Mestres - Premiação: R$1.000,00($400,00 ao campeão)- Rio de Janeiro

28: Aberto do Corpo de Bombeiros Militares do Distrito Federal/Torneio 2 de Julho - inscrições gratuitas - Brasília

29: 11ª etapa do Circuito Paulista Dinâmico/Bariri 118 Anos - premiação: R$1.760,00 ($300,00 ao campeão) - SP

29: 2ª etapa do Circuito Quirinópolis - premiação: R$500,00 - GO

29: Torneio Mensal do SESC Interlagos - inscrições gratuitas e antecipadas pelo e-mail:xadrez@interlagos.sescsp.org.br - São Paulo





Calendário parcial de julho (até dia 18)

3 a 6: Semifinal do Campeonato Piauiense - Teresina

3 a 6: 3º Aberto Potiguar - Natal

5 a 19: Torneio Absoluto Roraimense - Boa Vista

5 a 30: 9º IRT da Liga Campineira de Xadrez - SP

5: 2a Copa Escolar - inscrições: R$3,00 - Belo Horizonte

7 a 11: Campeonato Brasileiro de Seniors - para jogadores nascidos até 31/12/1947 - Rio de Janeiro

10 a 13: Final do Campeonato Potiguar Feminino - Natal

12 e 13: Regional de Mendes - RJ

12 e 13: Aberto Clássico de Fortaleza - premiação: R$200,00 ($90,00 ao campeão)

17 a 20: Etapa do Circuito Aberto do Brasil/6º Aberto do Sertão - vaga na semifinal do Brasileiro e duas vagas masculinas mais duas vagas femininas na semifinal do Estadual - premiação: R$4.200,00 ($1.000,00 ao campeão) - Quixadá - CE 18 a 24: Final do Memorial Bobby Fischer - Rio de Janeiro

18 a 20: Etapa inaugural do Circuito IRT da Liga de Xadrez de São Bernardo do Campo - SP

18 a 20: NRT (agora saíram com essa...) de Corumbá - MS

Xadrez é um esporte individualista?

Retirado do site ClubedeXadrez

Xadrez é um esporte individualista?

Por João Carlos de Jesus Almeida*

Eis uma questão polêmica. Certa vez durante uma conversa trivial, um colega profissional de Educação Física, me disse que não apoiava a idéia do estímulo ao esporte Luta de Braço (oficialmente reconhecido, tendo inclusive sua entidade máxima nacional, a Confederação Brasileira de Luta de Braço e Halterofilismo) por ser um esporte individual (de um contra um), pois preferia apoiar os esportes coletivos (como o Vôlei, Futebol, Basquete, etc). E, de acordo com ele, aquele tipo de esporte, individual não seria uma boa prática entre estudantes, então o melhor era trabalhar o coletivo, pois estimula a cooperação, interatividade, trabalho em grupo entre outros benefícios.

Passaram-se anos depois desta conversa, e neste período pude observar na minha prática diária como profissional nas escolas municipais e estaduais, que o tal esporte coletivo não era tão coletivo assim. Observei, e ainda vejo isso, em muitíssimas ocasiões em que, por exemplo: numa partida de futsal, toda vez que o “astro” do time driblava um, dois, o goleiro e fazia o gol o monólogo era: “Viu professor, EU sou fera mesmo. EU sou o cara”, e se o time ganhava a conversa era (é): “Ganhamos de n a zero... viu os três golaços EU que fiz?”. Curiosamente, quando o time perdia (geralmente um time perde, claro) a conversa já era outra: “Assim não dá! Viu o vacilo DO goleiro? Levou dois frangos”. “Pô! Perdemos por causa DO ala direita... VOCÊ joga mal demais cara”.

E o pior é que isso se repete nos times de voleibol, nos de handebol etc. Ou seja, para o time que ganha, o mérito é do que “fez mais”, quando perde, a culpa é do que “errou”, nunca é de toda a equipe. Poderíamos dizer, “ah, mas isso só ocorre entre escolares, nas equipes de nível todos assumem a responsabilidade”. Nem tanto. Basta ouvirmos os comentários de muitos praticantes de esportes coletivos profissionais. Recentemente, um caso que me vem agora, o Vasco da Gama, tradicional clube brasileiro de futebol, perdeu um importante jogo nas cobranças de pênalti. Na época, uma das estrelas do time, o jogador Edmundo, que perdeu o pênalti, disse que iria se aposentar, talvez sentindo-se culpado pela derrota do time. E não foram poucos os torcedores, nos bares, na TV, no Orkut etc, que culpavam o jogador pela desclassificação. Ninguém, em nenhum momento, refletiu que, se o Vasco chegou à necessidade de decidir o jogo nos pênaltis, foi porque TODO o coletivo falhou em determinado ponto, não decidindo logo o jogo no tempo normal.

O xadrez, como já sabem, é um jogo de um contra um, onde o indivíduo é, quase sempre, o grande responsável pelas suas derrotas. O que poucos sabem é que é justamente nas derrotas que o enxadrista aprende e cresce moralmente! O competidor bem orientado sabe que errou em um ponto, e é preciso descobrir qual, se aperfeiçoar e evitar cometer o mesmo erro no futuro. Seu crescimento dependerá de seu tempo dedicado ao estudo e prática; à sua motivação e ao seu talento. Interessante que dependerá mais dos dois primeiros itens do que do último. Isso tudo poderia nos levar a crer que o xadrez é um esporte individualista e egocêntrico. Puro mito! Assim como os tabuleiros com teias de aranha que víamos nos filmes de outrora, passando a imagem de que xadrez é um jogo muito, muito demorado. Para os novatos, explico que existem várias modalidades de xadrez, inclusive uma chamada de Bullet, onde toda a partida deve terminar em 2 minutos!

Outra modalidade interessante é o Xadrez por Equipes! Aqui no Espírito Santo, nossa Federação já realiza há anos o Campeonato Estadual Por Equipes, onde cada time é composto de quatro enxadristas, sendo um denominado o Capitão. Dou ênfase ao fato de que o Capitão não dita sumariamente o que a equipe deve fazer, mas ouve, sintetiza e dá suas orientações gerais, traçando conjuntamente a estratégia a ser adotada. Assim cada indivíduo é o responsável pelos seus atos nas suas respectivas partidas, mas sem distanciar do todo. É a coletividade do Xadrez.

Quem é acostumado a participar de competições sérias, já se habituou àquela imagem tradicional no post-mortem (depois que termina o jogo) de uma mesa com dois enxadristas movendo peças e conversando, e uma roda de pessoas ao lado dando suas opiniões. Trata-se da análise, um dos pontos mais cativantes e coletivos do xadrez, onde todos dão suas opiniões e buscam as devidas soluções para os problemas apresentados na posição.

Outras atividades específicas que devem ser utilizadas no xadrez escolar é justamente a resolução coletiva de problemas, estimulando a participação em grupo, promovendo a capacidade de ouvir, generalizar, especificar, sintetizar, e discernir sobre todos os pontos observados e apresentados pelo grupo. Assim como os pré-jogos enxadrísticos; construção artesanal de peças com objetos recicláveis; criação de um boletim (pequeno jornal informativo) com a participação dos membros do clube; divisão de tarefas na organização de pequenos eventos; estímulo à prática da monitoria, onde os mais avançados ajudam os iniciantes etc, onde “muitas vezes, a soma das partes é maior que o todo!”
Ao jogar uma partida, o enxadrista assume uma postura coletiva, pois sabe que seu sucesso depende da cooperação de todas as suas peças. É muito comum quando começo a ensinar xadrez em escolas, surgir algum aluno dizendo: “eu sei jogar”; então convido-o para uma partidinha, assim analiso em que estágio ele se encontra. Não raro, aliás, freqüentemente o aluno move três, quatro, cinco vezes a mesma peça ou peão... em poucos instantes coloco todo o meu exército sobre o Rei dele e venço. Então a turminha ao redor exclama: “puxa! Ele ganhou rapidinho”. Então explico que só venci porque eu tinha mais forças em campo, minhas peças estavam melhor coordenadas e trabalhavam em harmonia. Vejam que, desta forma, o xadrez mostra-se mais cooperativista do que se imagina.

Para finalizar, gostaria de expor parte de um dos textos do Prof. Antônio Villar Marques de Sá, Doutor pela Universidade de Paris (1988), bacharel e licenciado em Matemática pela Universidade de Brasília, onde ele cita a opinião de Charles Partos, Mestre Internacional e professor do departamento da instrução pública do cantão do Valais (Suíça), sobre o

“aprendizado e a prática do xadrez que desenvolvem várias habilidades:

a. A atenção e a concentração;
b. O julgamento e o planejamento;
c. A imaginação e a antecipação;
d. A memória;
e. A vontade de vencer, a paciência e o autocontrole;
f. O espírito de decisão e a coragem;
g. A lógica matemática, o raciocínio analítico e sintético;
h. A criatividade;
i. A inteligência;
j. A organização metódica do estudo e o interesse pelas línguas estrangeiras.”

*João Carlos de Jesus Almeida, profissional habilitado em Educação Física (Ceunes/UFES); Árbitro Regional da CBX; professor habilitado pelo Centro de Excelência do Xadrez (CEX).
Visite:
Clube de Xadrez – Maior comunidade brasileira enxadrística on-line.
FESX – Federação Espírito-santense de Xadrez
Enpassant – minha home Page.
Pensando Bem – Blog do Psicólogo Gerson Abarca.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Misérias e glórias do xadrez - parte 17

Retirado do site do grande jogador brasileiro Hélder Câmara

Kasparov conseguiu ser preso pela polícia, no sábado, em Moscou. Seu retrato, acenando da janela de um ônibus da polícia, é suficiente. Pode acreditar, leitor, e nós temos alguma experiência no assunto: ninguém que é realmente preso - isto é, preso contra a sua vontade - se dá ao luxo desse tipo de salamaleque, até porque o humor nessas horas não é muito propício a essas coisas. Mas, seu único programa eleitoral é posar de perseguido, tal como fazia nos tempos da URSS. Ele acha que isso pode funcionar agora, como funcionou antes. A diferença é que, nesse intervalo de tempo, os russos tiveram a experiência do governo Yeltsyn e daquilo que Putin chamou de “ditadura das oligarquias”, isto é, a ditadura dos que se tornaram bilionários ao roubar o patrimônio público construído em 70 anos pelos povos que compunham a URSS. Como já dissemos, sua oposição a Putin não é pelos seus defeitos - e não faltaria o que criticar, se sua candidatura fosse séria - mas pelas limitações que o atual presidente da Rússia estabeleceu para o império desses nababos. Obviamente, defender que seu verdadeiro programa é acabar com essas limitações, até Kasparov deve perceber que não rende voto. Daí a exumação da postura de perseguido.

Não foi muito diferente a atitude de Kasparov em 1993. Como não existia mais a URSS, o escolhido como perseguidor foi a FIDE, mais concretamente, o seu presidente, Florencio Campomanes.

Pela primeira vez em 18 anos, Karpov não era um dos contendores no match final para decidir o campeão mundial. Perdera, na semifinal, para o inglês Nigel Short. O ex-campeão, nessa época, já havia entrado naquela que Botvinnik chamou de “idade perigosa” para um grande enxadrista – já tinha mais de 40 anos.

KRYLENKO

Com o fim da URSS, acabara também a escola soviética de xadrez. Maiztegui Casas, no artigo que mencionamos na parte anterior deste artigo, considera-a “o movimento enxadrístico mais importante da história”, no que está certo. Nas suas palavras, “partindo da base de que o destino da revolução era gerar o homem novo, mais solidário, mais culto, mais inteligente e mais livre que o produzido pelo capitalismo (...) o xadrez era o terreno ideal para mostrar a superioridade do comunismo sobre o capitalismo. Por seu caráter eminentemente intelectual, por seu aspecto de luta e confrontação direta e por seus elementos dialéticos, o xadrez se prestava, como nenhuma outra atividade, a servir como teste da formação e desenvolvimento do homem novo e para constatar, passo a passo, seu predomínio sobre os burgueses” (grifos do autor).

Há algumas imprecisões nessa descrição: dificilmente os dirigentes soviéticos, sobretudo os da década de 30, achariam que “o xadrez era o terreno ideal para mostrar a superioridade do comunismo sobre o capitalismo”, o que colocaria o nosso jogo acima, por exemplo, da economia e da cultura... Além disso, Stalin, Molotov, e outros, não andavam procurando um aparelho para medir o “homem novo”. Por isso, não é prudente atribuir a eles a crença de que “o xadrez se prestava, como nenhuma outra atividade, para servir como teste da formação e desenvolvimento do homem novo”. Até porque, voltando ao argumento anterior, não faltavam atividades humanas mais decisivas para a Humanidade.

Porém, Maiztegui Casas atribui essas concepções não a Stalin ou Zhdanov, principais teóricos do PCUS, mas ao então Comissário do Povo para a Justiça, Nikolai Krylenko. É possível, e Krylenko, sabidamente, supervisionou o xadrez soviético até o final de 1937 (ver as menções a ele nas memórias de Botvinnik, “Achieving The Aim”). Mesmo assim, isso necessita de comprovação.

Maiztégui Casas faz algumas considerações sobre a trajetória de Krylenko. Umas fazem parte daquilo que podemos chamar, caridosamente, de “lendas da CIA”. Outras, nem tanto. Portanto, é necessário dizer algo sobre o assunto, com base nos fatos conhecidos.

Sabe-se que Krylenko, julgado como traidor e condenado no final da década de 30, esteve entre os primeiros casos a serem revistos na URSS. É interessante observar que, ao contrário da maioria, isso se deu em 1955, portanto, antes do 20º Congresso do PCUS e do relatório “secreto” de Kruschev (25 de fevereiro de 1956), numa época em que a história anterior ainda não havia se tornado anátema, e em que Molotov, Kaganovitch, Malenkov, e outros que depois foram afastados por Kruschev como “stalinistas”, ainda estavam na direção do partido e do Estado soviético. Sabe-se, também, que esses casos foram revistos após o afastamento de Lavrenti Béria da direção do partido e do ministério do interior, em 1953, e que o ataque inicial a Krylenko partiu de Bagírov, um dos mais chegados amigos de Béria, durante a sessão do Soviet Supremo de janeiro de 1938.

A acusação de Bagírov parece bastante mal fundamentada - mas não é possível um juízo definitivo, pois só conhecemos dela os trechos reproduzidos por Roy Medvedev (cf. a coletânea “Stalinism: Essays in Historical Interpretation”), que dificilmente pode ser considerado uma fonte isenta, ou, mesmo, com alguma confiabilidade ou solidez - seja nas conclusões, seja na reprodução de documentos históricos, seja quanto à coerência.

Por outro lado, Béria somente seria transferido da longínqua Geórgia para Moscou em agosto de 1938, portanto, seis meses depois do discurso de Bagírov e do afastamento de Krylenko - e somente em novembro desse mesmo ano ele substituiria Nikolai Yezhov no Comissariado do Interior (NKVD). Aparentemente, é impossível a interpretação de que partiu de Béria o ataque a Krylenko. Qual o seu interesse, em janeiro de 1938, no afastamento de Krylenko? É perfeitamente possível a existência de algum fato que desconhecemos que explique porque Béria queria afastar Krylenko, mas isso seria fazer uma especulação totalmente destituída de base factual. Simplesmente, não há prova disso.

Mas, tudo o que foi dito acima pressupõe como segura a premissa de que Krylenko era inocente. Como essa é, em geral, a premissa dos anticomunistas ao abordar os processos e condenações ocorridos na URSS após 1934, é preciso, pois, acautelar-nos.

Primeiro, porque Krylenko foi réu confesso. E sua trajetória não era a de um homem que confessaria, se não reconhecesse a sua culpa. A história de que ele teria sido torturado não foi provada, assim como não foi em relação aos outros réus dos “processos de Moscou”, e ela tem uma única fonte – um cartapácio denominado “Livro Negro do Comunismo”, que, como o leitor pode julgar pelo título, é uma obra muito isenta. Além disso, a presunção de que a tortura leva o torturado a confessar qualquer coisa, é uma crença muito conveniente aos torturadores, mas nem por isso é verdadeira. Apenas, não é um acaso que os anticomunistas doentios e os torturadores tenham esse credo em comum...

Em segundo lugar, houve, realmente, na época, dirigentes do partido e do Estado que se tornaram culpados de traição. Em 1938, a URSS, sob pressão conjunta da Alemanha, da Inglaterra e da França, além de seus satélites no Leste europeu, estava à beira da guerra - uma guerra que, mesmo na direção do PCUS, muitos achavam que era impossível vencer. Daí, as tentativas, baseadas no medo e na ilusão, de fazer concessões, inclusive territoriais, para evitar a guerra - o que somente seria possível se fossem eliminados os principais dirigentes do partido e do Estado. Como sabemos, essas tentativas não foram bem sucedidas. Mas existiram, e não foram pouco importantes os que se envolveram nelas.

Por último, a “reabilitação” de Krylenko também é insuficiente como prova de sua inocência. Tukhachevsky, vice-comissário da Defesa até 1936, foi também “reabilitado” (é verdade que somente em janeiro de 1957, portanto, depois do 20º Congresso), apesar de todas as provas contra ele, inclusive provenientes de fontes anticomunistas, e da admissão atual de vários autores de que ele realmente tramava um golpe de Estado para barganhar, em seguida, com os alemães (para as fontes mais antigas, ver, p. ex., “Moscow 41”, de Alexander Werth; ou o próprio Churchill, “The Gathering Storm”; e a anotação feita por Goebbels, em seu diário, a respeito dos comentários de Hitler sobre a “oposição” de Tukhachevsky a Stalin).

Embora não tenhamos uma resposta completa para a significação do caso de Krylenko, é necessário levar em consideração os fatos, e não as lendas, ao se referir tanto a ele quanto a outras figuras da época. Botvinnik traça dele um retrato não isento de ambigüidade: “os jogadores ao mesmo tempo tinham medo e gostavam de Krylenko”. Ou: “não participei do campeonato da URSS de 1937 porque estava defendendo a minha tese. (....) Krylenko enviou-me um telegrama ameaçador: 'vou discutir sua conduta no Comitê Central'”, o que parece algo tanto autoritário quanto, simplesmente, bobo. Imagine-se o Comitê Central do PCUS, em 1937, assoberbado por problemas políticos nacionais e internacionais extremamente complexos, dedicar-se a discutir se Botvinnik agiu certo ou errado ao não participar do Campeonato Soviético de Xadrez daquele ano para dedicar-se à sua tese universitária...

Porém, o mais importante é que, embora escrevendo 40 anos depois, Botvinnik não faz comentários sobre o afastamento e posterior condenação de Krylenko, o que, visto que ele foi “reabilitado” em 1955, seria natural esperar. Aliás, considerando a cúpula soviética da época em que escreveu suas memórias, se ele fizesse isso, até seria bem visto. No entanto, a impressão que ele passa é a de que se sentiu aliviado com o afastamento de Krylenko.

CONFUSÃO

Fomos obrigados a essa digressão pelos problemas históricos colocados pelo texto de Maiztegui Casas. Entretanto, isso não lhe retira o mérito de haver percebido que a escola soviética de xadrez era a aplicação, em um campo específico, de uma visão geral de mundo. Obviamente, isso incluía um freio ao comercialismo e tinha no centro a idéia de que jogadores de xadrez não são apenas jogadores de xadrez, mas seres humanos.

Este último aspecto estava implícito quando Botvinnik disse que Fischer era “uma máquina de calcular”. Apesar de Fischer ter sido o jogador ocidental que mais absorveu as pesquisas soviéticas em xadrez, isso não o fazia membro da escola soviética - nada mais estranho a ela do que um sujeito que só jogava xadrez, só pensava em xadrez e somente lia sobre xadrez.

Assim, Botvinnik foi um dos cientistas mais importantes na área elétrica e, depois, na informática. Smyslov era um cantor lírico de méritos. Taimanov era um excepcional pianista. Tahl, apesar de seu quase vício pelo xadrez, um professor de literatura. Talvez o único que dedicou-se somente ao xadrez tenha sido Petrosian, que, devido às circunstâncias da vida, era antes um trabalhador braçal pouco qualificado.

Hoje em dia é mais ou menos habitual que alguns jovens, estilo Magnus Carlsen, abandonem a escola para dedicar-se ao xadrez. Antes de Fischer, até no ocidente isso era inadmissível: ver a sentença da Justiça americana que separou o então menino-prodígio Samuel Reshevsky dos pais, que, em vez de cuidar de sua educação, dedicaram-se a ganhar dinheiro com as exibições do filho. Mas isso, é claro, foi no governo Roosevelt...

A escola soviética de xadrez compreendia também uma estrutura, que tinha por base as instituições dos “pioneiros”. Mas tudo isso deixou de existir com a URSS.

PCA & ETC.

Em 1993, o conflito de Kasparov com a FIDE era basicamente o conflito do mercantilismo sem limites com os freios a ele que ainda existiam - em suma, com o que restava da escola soviética de xadrez. A FIDE, apesar de sua trajetória de curvar-se aos ditames ocidentais da “guerra fria”, ainda conservava algum respeito pela esportividade.

Ao negociar com Alekhine, em 1938, um match pelo título mundial, Botvinnik surpreendeu-se com a desenvoltura do então campeão em questões monetárias. E comentou, sobre si mesmo: “eu não tinha necessidade de dinheiro”. Ou seja, jogar xadrez, para ele, não era um meio de vida, muito menos de enriquecer.

Mais de cinquenta anos depois, Kasparov e Short resolveram passar por cima da FIDE e realizar um match, sob os auspícios do “The Times”, de Londres, pelo título de campeão mundial - e, naturalmente, Short não era páreo para Kasparov.

A associação paralela fundada por Kasparov, a PCA (Professional Chess Association), que sucedeu a GMA e antecedeu o WCC (todas essas siglas rotulando um mesmo conteúdo, apenas com contratos comerciais algo diversos) poderia ser definida por duas características: a) um mercantilismo sem limites - o xadrez em função dos patrocinadores, isto é, do dinheiro; b) uma corte para Kasparov - tanto assim que deixou (ou deixaram) de existir logo que Kasparov perdeu um match organizado por ela: contra Kramnik, em outubro de 2000. Não era para isso que ela existia.

Mas, após 1993, o que se tornou inviável foi a FIDE. Sem a URSS, também ela passou a depender de patrocinadores. Mas estes, a começar pela Intel, preferiram a associação de Kasparov - que, afinal, havia sido fundada para servi-los, em troca de algumas migalhas (e, se o leitor achar exagerado essa palavra, diríamos que, para esses financiadores, o que passaram para a PCA não merece outro nome).

Da mesma forma, a mídia. O leitor que não é um aficionado em xadrez já deve ter ouvido que Kasparov continuou campeão do mundo ao vencer Short em 1993. Mas certamente ignora que o campeão da FIDE, ao vencer Timman, foi, outra vez, Karpov. Que Kasparov venceu o indiano Viswanathan Anand no campeonato seguinte, mas não que Karpov foi outra vez o campeão, ao vencer Kamsky. Nem que, em 1998, o mesmo Karpov venceu o mesmo Anand que havia perdido de Kasparov, pelo título de campeão do mundo.

Em suma, instaurou-se a confusão geral. Jogadores iam da FIDE para a PCA e da PCA para a FIDE, sem que esta mantivesse a mínima autoridade moral sobre o xadrez mundial. No meio dessa confusão, Kasparov ainda arrumou um match pelo título mundial com... um programa de computador, o famoso Deep Blue. Obviamente, não é essa a versão de Kasparov, mas alguém recordou que ele havia escrito: “Usando os modos geralmente aceitos de contar os campeões, Garry Kasparov é o 13º campeão; o único modo de alguém tornar-se o 14º é derrotar o 13º” (Chess Life, 08/1993). Ele não se advertiu de que, por esse desregrado critério, Fischer ainda seria o campeão mundial. Mas, quando Kasparov perdeu para o Deep Blue, num match em 1997, vários saudaram o novo campeão...

Na verdade, os supostos duelos “homem x máquina” são outro capitulo dessa comédia. É evidente que jogar com um computador é jogar com uma criação humana. Portanto, não se justifica tal alarido em torno desses matches, senão como forma de ganhar dinheiro. Além do mais, como observaram Karpov, Susan Polgar e outros, um duelo desse tipo somente seria justo se o programa de computador contasse apenas com seus próprios recursos. No entanto, isso não é verdade: os programas de computador, até hoje, não conseguem jogar bem uma abertura nem um final de jogo. A solução foi dar a ele livros de abertura e de finais (“tablebases”) onde as posições já estão determinadas, além, evidentemente, de um banco de partidas, jogadas por humanos, cada vez maior. Em um jogo onde, além do mais, o tempo é decisivo, isso torna a partida cada vez mais desigual - não para a “máquina” em relação ao “humano”, mas para os humanos que criaram o programa em relação ao jogador humano que o enfrenta sem livro de aberturas, sem livro de finais e sem poder consultar um banco de dados de partidas.

Esse é o aspecto falso mas não fraudulento desses duelos. Porém, há outro: em 2003, quando outro duelo “homem x máquina” foi promovido, com Kasparov recebendo US$ 500 mil e mais uma bolsa de igual magnitude (60% se vencesse, 40% se perdesse), pagos pela Technologies Corporation para promover o seu “Deep Júnior”, aconteceram algumas coisas incríveis.

Na primeira partida, o “Deep Júnior” fez uma tenebrosa 17ª jogada e perdeu a partida. Na terceira, Kasparov resolveu retribuir a gentileza e competir com a máquina em cálculo - o que ele sabia, desde o Deep Blue, que é praticamente impossível. Programas de computador podem ser vencidos porque sua análise da posição não é acurada, mas jamais no cálculo de seqüências de jogadas - afinal, é para calcular coisas semelhantes que os computadores e seus programas existem.

Na 5ª partida, o computador simplesmente sacrificou uma peça sem compensação, ou seja, fez um sacrifício errado, algo inédito, pois se trata de um grosseiro erro de cálculo. Mas nem por isso perdeu a partida. Na 16ª jogada, numa posição ganhadora, Kasparov ignorou a óbvia continuação e o computador forçou o empate. Depois disso, na última partida, estando numa posição superior, Kasparov propôs o empate, o que deixou o match igualado.

Escrevendo no site “Jaque”, Amador Cuesta Robledo resumiu: “a palhaçada do match Kasparov x Deep Júnior só é comparável a outra pantomima, também sem graça nenhuma, que foi o match Kramnik x Deep Fritz”, também finalizado com empate. Cuesta Robledo nota que esses empates entre “homem” e “máquina” só serviam para que houvesse “outros matches e mais dinheiro para esses espertalhões”. E, sobre a última partida: “mesmo com posição superior, Kasparov propôs empate, igualando o match em definitivo. E logo teremos uma revanche, porquanto nunca faltarão imbecis para prestigiar esses ridículos despropósitos” (citações de Cuesta Robledo em Hélder Câmara, “A Festa Circense”, 15/02/2003).

Quanto ao último item, Cuesta Robledo parece que não tinha razão: já há algum tempo estão escasseando os imbecis para essas finalidades. Mas acertou em relação a “outros matches”. No mesmo ano, Kasparov conseguiu outro confronto “homem x máquina”, dessa vez para promover uma versão do programa alemão “Fritz”. Naturalmente, o match terminou empatado. Por que o fabricante iria pagar a ele US$ 175 mil? Para ter a propaganda de sua mercadoria prejudicada? Mas é sintomático que o cachê tenha descido de preço, razoavelmente, em poucos meses.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Para Raciocionar e pensar......

Retirado do site Brasília Clube de Xadrez

Cada partida é um desafio criativo
David Bronstein
Um repertório variado e um pouco inesperado é um trunfo na luta enxadrística
Bent Larsen
A tensão central de peões
é a alma da luta na abertura
Bogoljubov
A combinação é o meio adequado para demonstrar a superioridade estratégica de uma posição
Aron Nimzowitsch
Os motivos pra uma combinação podem surgir de um jogo consistente ou de uma súbita falha ou inexatidão do adversário, mas a combinação é sempre lógica
Igor Bondarevsky
A combinação é a essência do xadrez
Reuben Fine
A análise é o meio qe o jogador de xadrez dispõe para encontrar o melhor lance de cada posição
Gideon Stahlberg
Cuidado com os lances anódinos
Eugênio German
Embora a intuição e o cálculo sejam muito importantes, penso que a objetividade é a coisa mais importante para o enxadrista
Victor Korchnoi
Tudo afinal é muito simples, mas é necess'rio vê-lo no tabuleiro
Kurt Richter
A estratégia é o fio condutor, mas o motor da partida é a análise
Walter Oswaldo Cruz
Os sacrifícios tem uma finalide simples: aumentar a efetividade das outras peças
Rudolph Spielmann
Atacar é fazer sacrifícios
e criar combinações
Mikhail Tal
O valor de cada peça depende da posição como um todo
Mikhail Chigorin
O critério de força rel é uma funda penetração nos segredos da posição
Tigran Petrossian
Tática é saber o que fazer quando há o que fazer; estratégia é saber o que fazer quando não o que fazer
Tartakoweri
Após o meio jogo, os deuses colocaram o final
Pal Benko
Só a iniciativa leva à vitória; ter iniciativa é ter certa superioridade
Capablanca
O xadrez é a arte que ilustra a beleza da lógica
Botvinnik
Xadrez é imaginação
Bronstein
A arte do xadrez consiste em encontrar a linha ganhadora
Reuben Fine
O xadrez é basicamente uma luta; o oponente tem de ser vencido e isso é o que tenho em mira, praticamente em todas as partidas
Anatole Karpov
A criatividade, a imaginação e a intuição, nas quais baseio meu jogo, são indispensáveis, assim como o caráter firme: o triunfo vem somente na luta
Garry Kasparov

Mais um ano de vida para Karpov

Retirado do site LaMecca (Chess Enciclopedia)

Karpov, Anatoly Yevgenyevich

000000_karpov.jpg
Birth May 23, 1951
Zlatoust, Chelyabinsk, USSR
Nationality RUS - Russia
Titles GM - International Grandmaster


Images 120
Last update Jan 29, 2000
Biographical data

USSR player.
International Grandmaster, 1970.
International Master, 1969.
World Champion, 1975-1985, 1997-
European Junior Champion, 1967-8.
World Junior Champion, 1969.
USSR Champion, 1976, 1982, 1988.

Biography by Bill Wall
Anatoly Karpov was born in Zlatoust, Russia on 23 May, 1951. He learned the moves of chess around age 4 in the Zlatoust Pioneers Palace. By the time he was 11, he had become a candidate master. At age 12 he was accepted into Botvinnik's chess school in Moscow. At 13 he was the youngest player in the 1965 USSR Junior Championship, where he score 4.5 out of 8 in Moscow. In simultaneous exhibitions, he drew Korchnoi and Spassky while still 13 years old.

In 1965 his family moved to Tula, Russia. In January, 1966 he took 6th place in the USSR Junior Championship im Moscow.

In August, 1966 he became Russia's youngest master at 15 years, 2 months. He participated in his first international chess tournament in December, 1966 when he played and won an invitational chess tournament in Trinec, Yugoslavia.

In 1967 he took 5th in the USSR Junior Championship in Moscow. He won the European Junior Championship in Groningen, Netherlands in December 1967.

In September, 1968 he entered the Mathematics and Mechanics Department at Moscow University. Semion Furman became his chess trainer during this period.

In May, 1969 Anatoly transferred to the Economics Department at Leningrad University where he studied Economics, English, and Spanish. He also became interested in politics and at age 18, was elected delegate to the 17th Congress of the Comsomol and made member of the Central comittee.

In August, 1969 he won the World Junior Championship in Stockhom, Sweden with a score of 10 out of 11. He thus became an International Master at age 18.

In June, 1970 he tied for 4th place at an international tournamnent in Caracas, Venezuela, gaining a Grandmaster norm. He was awarded the Grandmaster title at the 1970 FIDE Congress in Siegen in September, 1970 at the age of 19. He was the world's youngest Grandmaster.

In January, 1971 his FIDE rating was 2540. In September, 1970 he took 4th place in the 39th USSR Championship in Leningrad. In November he tied for first with Stein in the Alekhine Memorial in Moscow. In December he tied for first with Korchnoi in Hastings 1969-70.

In 1972 Anatoly's FIDE rating was 2630. In November, 1972 he tied for first with Petrosian and Portisch at San Antonio. Karpov finished his school work at Leningrad State University. His thesis was entitled: "Spare time and its economic significance under Socialism." There is no mention of chess.

In 1973 Karpov's FIDE rating was 2660. He took 2nd at Budapest in February, 1973. He then tied for first with Korchnoi at the Leningrad Interzonal in June. He tied for 2nd in the 41st USSR championship in Moscow in October. In November, he took first place at Madrid. He won the 1973 chess Oscar and was voted one of the top 10 sportsmen of the year in Russia.

In 1974 Karpov's FIDE rating was 2700. He defeated Polugaevsky, Spassky, and Korchnoi in the Candidates matches in 1974. In June hs score 12 out of 14 in the Nice Olympiad for a gold medal and top board one. Karpov became the offical challenger for Bobby Fischer for the world chess championship. He won the chess oscar for 1974.

On April 24, 1975 Anatoly Karpov was formally crowned the 12th World Champion when Fischer declined to defend his title. Karpov's FIDE rating was 2705. In June he won the 3rd Vidmar Memorial in Yugoslavia. He won the chess oscar for 1975.

In February, 1976 he won at Skopje. In May he won at Amsterdam. In July he took 2nd place in Manila, then won at Montilla, Spain in August. In November he won the 44th USSR Championship in Moscow. He won the chess oscar for 1976.

In 1977 Karpov won at Bad Lauterberg, Las Palmas, Bristol, and Tilburg. He won the chess oscar for 1977.

In 1978 Karpov's rating had risen to 2725. In February he won at Bogojno, Yugoslavia. In July he defended his world championship title against Viktor Korchnoi in Baguio City, Philippines. Karpov won with 6 wins, 21 draws, and 5 losses. In 1978 Karpov won the Soviet Union Sportsman of the Year and was personally decorated by USSR President Breshnev.

In 1979 Karpov won at Montreal, Waddinxveen, and Tilburg. All three events were Category 15 events (average rating over 2600). He won the chess oscar for 1979.

In 1980 he won at Bad Kissingen, Bogojno, Amsterdam, and Tilburg. He won the chess oscar for 1980.

In 1981 Karpov won at Linares and Moscow. In October, 1981 he defended his world championship title again to Korchnoi, this time in Merano, Italy. He won the match with 6 wins, 10 draws, and 2 losses. He won the chess oscar for 1981.

In 1982 he won at London, Hamburg, and Tilburg.

In April, 1983 he won the 50th USSR Championship. He won at Hanover and Tilburg later that year.

In 1984 Karpov won at Oslo and London. In September, 1984 he started his marathon world championship match with Garry Kasparov. The match was for the first to win 6 games. After 5 wins, 40 draws, and 3 losses, FIDE President Campomanes stopped the match after 5 months of play. Karpov won the chess oscar for 1984.

In August, 1985 Karpov won at Amsterdam before resuming his rescheduled world championship match with Kasparov. This time Kasparov won as Karpov won 3 games, drew 16 and lost 5. This time the match was limited to 24 games and played in Moscow.

In 1986 Karpov won at Brussels and Bugojno before he started a rematch with Kasparov in July. Karpov again lost to Kasparov in London/Leningrad, winning 4 games, drawing 15 games, and losing 5 games.

In 1987 Karpov won at Amsterdam and Bilbao and defeated Sokolov to become challenger to the world championship. He again played Kasparov, in Seville, Spain in October. Kasparov retained his title by drawing it with 4 wins, 16 draws, and 4 losses.

In 1988 Karpov won at Wijk aan Zee, Brussels, Tilburg, and the World Active Championship in Mexico. He tied with Kasparov the 1988 USSR Championship.

In 1989 he won at Skelleftea and became the world championship challeger after defeating Hjartarson, Yusupov, and Timman (in 1990) in Candidates matches.

In July, 1990 he won at Biel before starting he rematch with Kasparov in New York and Lyons in October, 1990. Kasparov again won the match, with a score of 12.5 - 11.5.

In 1991 Karpov won at Reggio Emilia and Reykjavik and defeated Anand in a Candidates match.

In April 1992 Karpov lost the semi-final Candidates match to Nigel Short, thus being eliminated from the FIDE world championship match. However, in 1993, both Kasparov and Short declined to play a world championship match under FIDE rules. FIDE forfeited Kasparov and Short as World Champion and Challenger in March, 1993.

In September, 1993 Karpov defeated Jan Timman for the world FIDE championship. Karpov's FIDE rating was 2760.

In March, 1994 Karpov won at Linares (average rating was 2685) and had a performance rating of 2985.

In February, 1995 Karpov defeated Gelfand in the FIDE semi-final in India. In April he won at Monte Carlo. In December he won the category 17 tournament at Groningen.

In July 1996 Karpov defeated Gata Kamsky for the FIDE world championship match, held in Elista, Kalmykia, Russia. He score 10.5-7.5.

Karpov became the first millionaire playing chess. Before the Soviet Union broke up, he was a member of the Supreme Soviet Commission for Foreign Affairs and the President of the Soviet Peace Fund.



Trivia
by Bill Wall
The first world champion to win the title without playing a chess match. He got the title in 1975 when Fischer refused to defend his title. Anatoly became a Candidate Master at the age of 11, a Master at 15, an International Grandmaster at 19, and world champion at 24. In 1978 he was named Soviet Union Sportsman of the Year and was personally decorated by President Breshnev. Karpov became World Champion before he became USSR Champion. He never scored worse than 4th place while world champion. No Soviet opponent has ever beat him outside the Soviet Union. He became the first millionaire playing chess. He is a member of the Supreme Soviet Commission for Foreign Affairs and the President of the Soviet Peace Fund. He is the first world champion to be born in Asia. He has the most complete collection of postage stamps on the topic of chess and specializes in stamps with reproductions of paintings. In 1989 a poll in the BRITISH CHESS MAGAZINE showed the Karpov was the world's most boring player, followed by Sammy Reshevsky. Karpov's diploma thesis at the Leningrad State University was entitled: "Spare time and its economic significance under Socialism." There is no mention of chess.


Chess Career
1st European Junior 1967
1st World Junior 1969
1st Moscow 1971
1st Hastings 1971/72
1st San Antonio 1972
1st Leningrad 1973
1974 won candidate match for the World Championship K-Polugaevsky RUS +3=5, and K-Spassky RUS +4=6-1
Challenger to B. Fischer USA. No match then FIDE declared Karpov World champion in 1975.
1st Portoroz 1975
1st Amsterdam 1976
1st Skopje 1976
1st Montilla 1976
1st USSR championship 1976
1st Bad Lauterberg 1977
1st Las Palmas 1977
1st Tilburg 1977
World Champion in Baguio 1978. K-Korchnoi +6=21-5
1st Montreal 1979
1st Waddinxveen 1979
1st Tilburg 1979
1st Bad Kissingen 1980
1st Bugojno 1980
1st Tilburg 1980
1st Moscow 1981
World Champion in Merano 1981. K-Korchnoi +6=10-2
1st London 1982
1st Tilburg 1982
1st Turin 1982
1st USSR championship 1983
1st Hanover 1983
1st Tilburg 1983
1st London 1984
1st Oslo 1984
World championship Moscow 1984 K- Kasparov +5=40-3. Match was stopped by FIDE President F.Campomanes .
1st Amsterdam 1985
Lost the World title to Kasparov in 1986 +5=15-3
1st Brussels 1986
1st Bugojno 1986
1st equal Wien 1986
1st Amsterdam 1987
1st Bilbao 1987
Candidate finalist 1987 beat Sokolov, A. in Linares.
1st Brussels 1988
1st USSR championship Moscow 1988. Tied with Kasparov
1st Tilburg 1988
1st Wijk aan Zee 1988
1st Skelleftea 1989
1st Biel 1990
1990 Candidate finalist he beat Timman, J. cycle 1988-1990
Lost the title to Kasparov in New York and Lyon in 1990
1st Reggio Emilia 1991
1st Linares 1991
1991 won candidate semi final match against Anand, V. in Brussels for the cycle 1990/1993
1992 Lost candidate final to Short, N. +2=4-4 for the cycle 1990/93
1st Baden Baden 1992
1st Biel 1992
1st Moscow rapid 1992
1st Wijk aan Zee 1993
1st Dos Hermanas 1993
1993 World Champion beat Timman 12.5-8.5 in Holland and Indonesia
1st Tilburg 1993
1994 won a match against Campora 1.5-0.5
1994 won a match against Lautier 4-2
1994 won match against Morovic Fernandez 5-1
1st Linares 1994
1995 won candidate match against Gelfand, B +4=4-1 in India for the cycle 1993/95
1st Groningen 1995
1st equal Biel 1996
1996 won match against Kamsky World championship 6.5-3.5 in Elista
1st cap d'Agde 1996
1997 won match against Kotronias 2.5-1.5 in Athens
1st 1998 Lausanne
1st 1998 Cap d'Agde
1st 1998 Santiago
1st 1999 Monaco